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ESTRANHA E USADO
Lançamento dia 20/08.
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Artistas

ESTRANHO E USADO.

 

A coleção é, por acaso, uma coleção de moda. O usado é aquilo que sobreviveu ao tempo; o estranho é aquilo que não se encaixa completamente. Duas palavras que carregam julgamentos, mas que aqui encontram outro sentido. Reuso, arte e estranhamento como formas de interferir na lógica do consumo da qual também fazemos parte.

O ENCONTRO.

 

A primeira collab do Domister nasceu do encontro com Nelson, da 4rte Estranha. De um lado, uma produção construída no analógico, na matriz, no stencil, na gravura, na tinta e no spray. Do outro, roupas usadas. Por acaso, esses dois mundos encontraram um suporte em comum: a roupa.

O FAZER.

 

Pegamos peças que já existiam e adaptamos a arte de Nelson a elas. O processo importa tanto quanto o resultado: as mãos, a tentativa, o erro, o ruído, o improviso. Em um momento em que produzir ficou cada vez mais fácil, escolhemos olhar novamente para o fazer humano e para aquilo que ele transforma em quem faz.

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Cada peça da coleção acompanha uma ecobag produzida manualmente por Nelson, utilizando sobras de tecido jeans que conseguimos reaproveitar.

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Acompanha um certificado com selo de autenticidade da collab.

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A roupa, a ecobag, o certificado e o próprio suporte da coleção partem do mesmo princípio:

fazer com o que existe.

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Estranha e Usado
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ESTRANHA E USADO
Lançamento dia 20/08.

Manifesto

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O holofote

Por que colocar um holofote no Nelson?

Não porque ele seja maior que outros artistas.

Nem porque sua produção seja mais importante.

Mas porque, em tempos em que quase tudo se acelera, ele continua fazendo da mesma forma, com as próprias mãos, com o que tem.

Matriz em preto e branco.

Negativos.

Gravura.

Stencil.

Tinta.

Spray.

Há vinte anos isso era comum. Hoje virou exceção.

A arte não mudou.

O mundo ao redor dela mudou.

As tecnologias deram às pessoas a capacidade de voar, mas esqueceram de ensiná-las a andar.

Voar é incrível.

Mas saber andar continua sendo essencial.

O fazer

A relação entre o ser humano e a natureza sempre foi mediada pelo trabalho.

Existe uma ideia presente na filosofia do trabalho que nos atravessa profundamente: ao transformar a matéria, transformamos o mundo e transformamos a nós mesmos.

Não produzimos apenas objetos.

Produzimos também quem somos.

Talvez seja justamente essa transformação que esteja ficando mais distante.

As tecnologias facilitaram inúmeras etapas da produção.

Mas também reduziram o atrito.

Cada vez menos erro.

Cada vez menos ruído.

Cada vez menos caos.

E é justamente aí que mora a riqueza que valorizamos.

O fazer humano.

A tentativa.

A marca da mão.

O improviso.

O erro

A gastrite arte.

Fundamento

Para que alguns se sentissem no topo alguem tinha q ser fundamento

Nos interessam os fundamentos.

Aquilo que quase nunca recebe os holofotes, mas sustenta tudo aquilo que hoje chamamos de cultura.

Nelson traz essas referências.

Muitas delas musicais.

Muitas delas visuais.

Referências que ajudaram a construir aquilo que hoje reconhecemos como rap, reggae, punk, street art e tantas outras manifestações culturais.

Não olhamos para o fundamento por nostalgia.

Olhamos porque ninguém cria do nada.

Beber da fonte não limita a criação.

Pelo contrário.

É o que permite criar algo novo.

As produções contemporâneas muitas vezes parecem um espelho voltado para trás.

Cópias das cópias.

Talvez seja hora de voltar às raízes.

Por acaso

Esta coleção é, por acaso, uma coleção de moda.

Ela nunca foi pensada a partir das lógicas tradicionais da moda.

Por acaso, Nelson e eu cruzamos nossos caminhos.

Por acaso, encontramos nas roupas usadas o suporte para essas ideias.

Mas o acaso nunca teve um significado menor.

O acaso talvez seja o principal radical do tudo.

Do nada nasce o tudo.

Estranho

"Estranho" costuma ser entendido como aquilo que incomoda.

Aquilo que foge do padrão.

Aquilo que parece deslocado.

Para nós, estranho nunca foi ofensa.

É singularidade.

É diferença.

É ruído.

É aquilo que ainda não foi absorvido pelo sistema.

Nelson constrói a Arte Estranha.

Nós, no Domister, também ocupamos esse lugar.

Somos o ruído dentro da lógica da produção.

Reaproveitamos aquilo que o mercado prefere chamar de descarte.

Transformamos o fim em começo.

Talvez sejamos, juntos, os estranhos do ninho.

Sustentabilidade

Sim.

Somos um brechó.

Então trabalhar com reuso e reciclagem não é diferencial.

É obrigação.

Desde as roupas até os materiais gráficos.

Os certificados.

Os suportes.

Os objetos.

Achou um manequim de lingerie na rua?

Pega.

Achou um pedaço de jeans?

Pega.

Achou um papel?

Pega.

Vamos fazer.

Não porque seja mais bonito.

Nem porque seja mais barato.

Mas porque faz sentido.

Estamos em 2026.

Até quando sustentabilidade continuará sendo apenas narrativa?

Principalmente dentro da arte.

Vocês fazem arte.

Criticam a realidade.

Então critiquem também seus próprios métodos.

Busquem novas formas de produzir.

Novos materiais.

Novas relações com a natureza.

Antes do rótulo

O rap ajuda a costurar parte dessa conversa.

O Domister costuma ser associado ao streetwear.

Esta coleção também poderá ser chamada de street art.

Tudo bem.

Mas ela acontece um pouco antes desses rótulos.

Ela passa pelo punk.

Pelos lambes.

Pelo stencil.

Pela gravura.

Uma coisa inevitavelmente leva à outra.

Não buscamos nos afastar do hip hop.

Muito pelo contrário.

O hip hop ajudou a formar quem somos.

Mas todo movimento possui fundamentos.

E acreditamos que voltar até eles é também abrir caminho para novas possibilidades.

Poiesis

Os gregos chamavam de poiesis o ato de fazer.

Criar.

Fabricar.

Transformar algo pelas mãos.

Chamavam de práxis a ação refletida.

O pensamento que organiza o fazer.

Esta coleção tenta existir entre essas duas coisas.

Pensar.

E fazer.

Estranha e Usado

"Usado" costuma significar algo gasto.

Para nós, significa experiência.

Sobrevivência.

Tempo.

"Estranho" costuma significar aquilo que causa incômodo.

Para nós, significa liberdade.

Diferença.

Possibilidade.

São palavras normalmente tratadas de forma negativa.

Nós escolhemos habitá-las.

Escolhemos ressignificá-las.

Fim

Não queremos explicar completamente esta coleção.

O campo semântico dela é maior do que qualquer texto.

Poderíamos continuar escrevendo e produzindo interpretações infinitas.

Mas isso seria contradizer aquilo que acreditamos.

Preferimos deixar espaço para que cada pessoa construa suas próprias conexões.

Reflita.

Questione.

E, principalmente...

estranhe.

Manifesto
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2026 DomisterBrecho

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